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quarta-feira, 30 de outubro de 2019

O Que é Ser Igreja? Parte 3 (Final)



“Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; Um só Senhor, uma só fé, um só batismo;
Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos vós.” Efésios 4:4-6

Somos ensinados que há um só corpo, ou seja, a igreja de Cristo é uma só Nele. São as Denominações e instituições religiosas que se dividem. Isso gera a falsa ideia de que para pertencer a igreja seria preciso fazer parte de alguma instituição. Todo aquele que é salvo em Jesus Cristo pertence a igreja. Este é reconhecido pelos seus frutos que se manifestam ao mundo. Frequentar uma instituição religiosa não é critério para conhecer quem de fato pertence a igreja, mas os frutos que cada um gera estes sim, fazem conhecidos os pertencentes a igreja.

“ E sucedeu que todo um ano se reuniram naquela igreja, e ensinaram muita gente; e em Antioquia foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos.”
Atos 11:26

Praticar os rituais religiosos evangélicos não insere o homem no corpo de Cristo. Se ocupar de afazeres institucionais não consolidam ninguém na fé em Jesus. Fazer a obra de Deus não é ser crente que frequenta templos e vive dentro de uma bolha religiosa. Ser igreja é caminhar em Cristo na prática da vida cristã. É estudar as escrituras e obedecer sendo iluminado pelo Espírito Santo. Minhas atitudes, decisões e ações no caminhar do chão da vida, no relacionamento com as pessoas que encontro no caminho irão manifestar a vida de Jesus em mim.
A vida no evangelho é diária. A pregação é no dia a dia. O evangelizar acontece no cotidiano. Jesus em mim é expresso no trato que tenho com meu próximo. Como me relaciono com minha família e amigos. Como me comporto durante todo o decorrer da minha vida em qualquer lugar. Não são em dias e horas marcadas apenas. Não são eventos específicos para fazer coisas específicas. Não são determinações de culto de libertação, dia da cura, dia da prosperidade. Isso é o homem no controle e no centro. Em jesus quem determina é Deus. Quem age como quer e quando quer é o Espirito Santo. O que passa disso são pessoas em busca de atender os desejos dos seus corações. Fazendo coisas para satisfazer sua vontade de achar que está fazendo algo.

“E, vendo ele muitos dos fariseus e dos saduceus, que vinham ao seu batismo, dizia-lhes: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento; E não presumais, de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que, mesmo destas pedras, Deus pode suscitar filhos a Abraão. E também agora está posto o machado à raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo.” Mateus 3:7-10

Não se trata de ser igreja para conta minha história, mas sim para contar a história dos fatos concretos e verdadeiros de que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados. Ele pôs em nós a palavra da reconciliação (2 Co. 5.19), nos cabe agora proclamar. Não sou igreja para usar o nome de Jesus com o intuito de promover o meu nome (o mercado gospel age assim), mas minha vida deve promover o nome de Cristo.

“Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.” Romanos 11:36

Quem faz parte da igreja de Cristo deseja estar em comunhão com o corpo. Os salvos em Jesus têm dentro de si o desejo arrebatador de estar reunidos e cultuando com seus irmãos. O evangelho simples praticado entre irmãos sinceros na fé, com uma vida devota a Jesus é algo inerente ao cristão. Não somos chamados por Cristo para viver isolados. Não construa um monastério interior para sua alma.
Vivamos em comunhão como igreja, corpo de Cristo. Busquemos o discernimento para não afogarmos em coisas sem relevância para o Reino.  Estejamos atentos para não submergir em vaidades!

“Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor;
Tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem.”
Hebreus 12:14,15

Deus abençoe e bom caminho!

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Desesperança, Tristeza e Angustia



“Bom é ter esperança, e aguardar em silêncio a salvação do Senhor.”


Lamentações expressa o sentimento de Jeremias diante da destruição iminente de Israel, o profeta é uma testemunha ocular dos acontecimentos históricos e lamenta o quanto idólatra foi o povo a ponto de receber o castigo.  Israel estava em desesperança, não se via saída para sua desolação, era preciso manter a esperança e aguardar em silêncio a salvação do Senhor.
A desesperança é uma desilusão, é a perda da perspectiva uma vez que situações diversas conduzem a um pesar no coração, isto leva o indivíduo a uma profunda tristeza. Essa tristeza gerada pela desesperança alia-se a angústia, e estar angustiado acarreta em inquietudes na alma, pois estar angustiado é estar ansioso, preocupado, é a falta de confiança de que os planos darão certo e dúvida sobre o porvir no caminhar desta vida.
A realidade dos dias atuais produzem no indivíduo uma necessidade de atender expectativas, de ser bem sucedido, de alcançar sucesso e estabilidade em educação, saúde, emprego, entre outros, mas a realidade se mostra diferente destas perspectivas, então o sentimento de impotência e inutilidade podem tomar de assalto a pessoa, isto dependendo de como ela reage a tais circunstâncias.
É bem verdade e vale frisar que a angustia não fica apenas num sentimento, mas é psicossomática, isto se dá quando o que está na mente passa para o físico sendo comum alguém angustiado sentir aperto no peito, dificuldades para respirar puxando fundo o ar e ainda, o cérebro receber menos oxigênio e o corpo não reagir como antes aos estímulos para praticar as atividades cotidianas também se mostram comuns a quem passa por esta experiência.
Se a desesperança, tristeza e angustia permanecerem, a tendência e piorar e levar até mesmo a situações extremas por parte do indivíduo na busca de se livrar deste estado em que se encontra. É preciso buscar ajuda profissional, mas sem nunca esquecer de buscar ajuda em Deus, na meditação das escrituras e na oração intima a Cristo, Jesus é o caminho que conduz a cura da inquietude da alma, do sangrar do coração e dos laços de morte.
Aguardar em silêncio a salvação citada no texto acima não significa ficar parado esperando um milagre, milagres acontecem, mas dentro do contexto o que significa estar em silencio é aquietar a alma, descansar o coração, buscar forças no Espírito Santo para manter a esperança depositada em Deus, ele esquadrinha o coração e conhece tudo dentro de cada um, sejam sentimento, emoções, pensamentos e intenções, Deus sabe tudo e conhece muito bem, por isso “bom é ter esperança e aguardar em silêncio a salvação do Senhor.”

Bom caminho!



   

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Cristão e Conservador



O entendimento correto do que é ser um cristão e também conservador tem se perdido, não somente por falta de conhecimento, mas também pela precariedade do conhecimento que muitos adquirem. A nova geração, vive como se a história começasse com ela, fecham os olhos e ignoram totalmente os caminhos que trouxeram o homem a sua condição atual. Politicamente correta e crítica na sociedade em que vive, esta nova geração segue com seus conhecimentos sem fundamento e sem base, muitos indivíduos se estruturam sobre princípios relativistas que se encaixam em qualquer discurso que os conduza a simplesmente revolucionar. Não sabem que não há nada novo que já não tenha sido exposto, analisado, discutido e refutado.
O cristão tem um fundamento inegociável, uma vez que ser cristão é seguir a Cristo e não uma religião, é ser um indivíduo que busca a prática dos princípios bíblicos mediante a vontade de Jesus. Esse não é fruto de sistemas ou ideologias, antes é fruto de um fato que marcou a história, Deus em Jesus Cristo reconciliando consigo o mundo. Ser cristão é ter uma regra de fé e prática, a bíblia, é ter princípios que não são relativos e que não mudam conforme a vontade humana e o tempo, é preservar os ensinos de Jesus e praticá-los ainda que diante das ditas evoluções sociais e revoluções ideológicas seja em quais âmbitos forem, o comportamento do cristão pareça aos olhos destes, ultrapassado.  
Nisto o cristão é um conservador, pois acredita na manutenção de princípios marais que estabelecem a ordem social, entende a necessidade de manter as estruturas que sustentem uma vida que não se desintegra com as investidas de desconstrução da natureza humana constituída por Deus.
O cristão conservador, entretanto, não é alguém que ignora as necessárias mudanças seja nas áreas, políticas, sociais, econômicas ou educacionais. O cristão deve exercer seus direitos e deveres como cidadão e ser consciente da realidade em que vive neste mundo, deve ser um conservador que sabe o que deve ser mantido e aquilo que deve ser mudado, mas sem ignorar sua história e sem relativizar seus princípios. O cristão conservador não é um reacionário como muitas vezes é taxado, pois ele acredita na mudança quando esta se faz necessária, ele está aberto as transformações e inovações que surgem na capacidade do homem em transformar sua realidade, mas nunca aceita a imposição ideológica, a mudança intencionalmente abrupta e desconstrutiva.
O cristão conservador tem sua fonte de vida em Cristo, tem toda sua base de comportamento e prática nas escrituras. Ele acredita na estrutura familiar constituída por Deus, acredita na liberdade individual que cada indivíduo deve desfrutar e acredita na força do trabalho uma vez que do suor do seu rosto deve comer o seu pão. Ele acredita no respeito ao seu próximo e o direito de cada um escolher e seguir seu caminho, acredita que está no homem o dever de pregar o evangelho mais em Deus o poder de convencer o homem. O cristão conservador sabe que o homem é pecador e destituído da glória de Deus. Ele está consciente de que é impossível qualquer governo humano exercer uma liderança justa.
Por fim o cristão conservador não ignora a realidade de um mundo desigual, sabe que não existe um sistema de governo ideal, mas sabe também que as mazelas e pobrezas são frutos provenientes do homem que foi destituído da glória de Deus. Ele sabe que a mudança desta realidade não está em sistema de governo, partido político ou ideologias que forem, ele descarta as utopias e caminha para realidade da vida que é Jesus Cristo em nós esperança da glória.

Bom caminho!   

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Intimidade





“E aquele que guarda os seus mandamentos nele está, e ele nele. E nisto conhecemos que ele está em nós: pelo Espírito que nos tem dado.” João 3.24

A intimidade é uma qualidade do que é íntimo e ser íntimo, é estar perto ou ligado a algo ou alguém a ponto de se parecer com aquilo que nos tornamos íntimos, nos relacionamentos interpessoais, quando convivemos constantemente com alguém, num relacionamento de amizade por exemplo, é comum assimilarmos os trejeitos ou alguma falas do outro, isto faz parte do comportamento humano, pessoas que fazem parte de um mesmo convívio social expressam uma certa similaridade em alguns pontos, coisas que são comuns a todos.
Na vida cristã o relacionando com Deus segue este princípio também, quanto mais se busca, quanto mais se lê as escrituras e se dedica a oração, mais íntimo a pessoa se torna, isto faz com que aquele que segue a Cristo passa a expressar um comportamento que coaduna com os princípios das escrituras. O fruto do Espírito se manifesta, como uma árvore que se conhece pelos seus frutos, aquele que está perto de Deus e é habitação do Espirito Santo, vai manifestar em si as evidências de que é íntimo de Cristo.
Da mesma forma que se pode assimilar, também é possível perder ou seja, estar longe e deixar de dedicar aquele tempo que outrora dedicava ao relacionamento com o Pai, faz perder a intimidade, assim como pessoas que conviviam diariamente de forma saudável, por algum motivo os caminhos que seguem são diferentes, estas pessoas acabam perdendo as coisas que faziam com que se parecessem.
Fazer uma análise diária da própria vida, refletir sobre o relacionamento com Deus, perceber se as coisas desta vida têm sufocado o tempo é imprescindível, perseverar é preciso, não se pode deixar de lado a prática diária de relacionamento e busca de intimidade com Deus, é como diz a passagem de João citada no início, estar em Deus e Deus estar em nós significa guardar seus mandamentos, aquele que os guarda também pratica e aquele que pratica expressa a vida de Cristo, pois o Espírito que nos é dado manifesta em nós a verdade do evangelho.
A vida é breve, mas longa é a caminhada, muitos percalços virão para lançar para longe a intimidade com Deus, acima de tudo é preciso reconhecer as fraquezas, identificar os pontos vulneráveis e jamais deixar de buscar em Deus forças para que já tendo caminhando uma longa distância, no final acabe perdendo o alvo que se busca alcançar.

Deus nos bençoe e bom caminho!


quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

DISTANTE


A humanidade caminha longe de Deus, diariamente a ausência do amor conduz o homem a uma realidade distorcida daquela que o Pai criou e estabeleceu.
O homem foi criado para ser eterno, ele só experimenta a morte devido a escolha que faz em desobedecer a Deus, isto dá origem ao pecado, o homem foi criado perfeito, mas quando peca tem como herança a imperfeição, escolhas precipitadas e atitudes erradas conduzem a degradação moral, o erro e o orgulho humano, fazem as pessoas se enxergarem autossuficientes e então, buscam na filosofia existencial humana sentido e propósito que conduzem por caminhos distantes da fonte da vida, toda a criação existe e permanece mediante Jesus Cristo, sem ele nada do que foi feito se fez. (João 1.3)

No livro Lamentações de Jeremias, lemos sobre a nação de Judá que apesar de viver o favor de Deus, se corrompe moralmente, e o resultado foi o cativeiro babilônico, quando entre 586 a 575 a.C. Jerusalém é saqueada, o templo é destruído e o povo levado cativo, então Jeremias escreve seu lamento diante da consequência das escolhas erradas feitas pelo povo.

Este profeta nos ensina lições preciosas de vida, vejamos:

“Disto me recordarei na minha mente; por isso esperarei.
As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; Novas são cada manhã; grande é a tua fidelidade.” Lamentações 3:21-23

Aqui somos ensinados que apesar das escolhas erradas, Deus concede ao homem tempo oportuno para compreender a realidade, assumir os erros e arrepender-se, Deus deseja reestabelecer o relacionamento conosco.

“Bom é o Senhor para os que esperam por ele, para a alma que o busca. Bom é ter esperança, e aguardar em silêncio a salvação do Senhor.” Lamentações 3:25,26

Nestes versos aprendemos que a consequência do erro é inevitável, o homem erra e colhe os frutos deste erro, mas quando reconhece seus erros e compreende que a fonte de sua existência está em Cristo, aprende a esperar com paciência no Senhor.

“Porventura da boca do Altíssimo não sai tanto o mal como o bem? De que se queixa, pois, o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus pecados.” Lamentações 3:38,39

O mal e o bem que sai da boca do Altíssimo se refere a justiça que Ele pratica, Deus não permite injustiça, nisto é justo que o pecado que o homem comete tenha sua recompensa, o mal que sobrevêm não é a ação de um Deus que castiga, pois mal com “L” é o contrário de bem, significa fazer o bem ou o mal como consequência das escolhas feitas pelo próprio homem.
Aqui não aparece mau com “U” que é o contrário de bom, neste caso, que não é o que o texto apresenta, seria o fato de ser na essência bondoso ou simplesmente ruim, mau.

Precisamos nos aproximar de Deus, seguir no caminhar existencial se despindo da arrogância humana, é preciso buscar com propriedade a fonte da vida, usar o intelecto para compreender a realidade da vida, entender e aceitar que a humanidade distante de Deus não transcende a vida.
O bem maior e mais excelente do viver é o amor, nele tudo se constrói e se estabelece, ele é a fonte geradora e a base da vida, este amor vem de Jesus, é preciso que o homem esteja em Cristo.

Abraço fraterno e bom caminho!

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sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

O QUE SIGNIFICA TOMAR A CEIA INDIGNAMENTE?


“Portanto, qualquer que comer este pão, ou beber o cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor.
Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice.”
1 Coríntios 11:27,28

A pratica da ceia no meio cristão sempre vem seguida da citação bíblica a respeito de não comer indignamente, mas o que isto significa realmente? Antes de ser esclarecida esta questão, vamos observar a passagem na qual Jesus ministra sua última ceia antes de ser crucificado.

“Enquanto comiam, Jesus tomou o pão, deu graças, partiu-o, e o deu aos seus discípulos, dizendo: "Tomem e comam; isto é o meu corpo".
Em seguida tomou o cálice, deu graças e o ofereceu aos discípulos, dizendo: "Bebam dele todos vocês.
Isto é o meu sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos, para perdão de pecados.”  Mateus 26:26-28

Era a celebração da Páscoa, Jesus estava reunido com seus discípulos nesta celebração e “enquanto comiam” como diz o texto, ele tomou o pão e depois o cálice. Isso significa que na mesa estavam mais elementos além do pão e vinho, havia também um cordeiro e ervas amargas, alguns estudiosos falam sobre água salgada e sopa de frutas.
O texto nos transmite que eles já estavam comendo, deixando claro que esta ceia que praticamos apenas com o pedaço pequeno de pão e o minúsculo cálice é diferente da ceia que Jesus e seus discípulos tomaram, o pão e o vinho compõem a mesa e são os elementos usados para simbolizar o corpo e o sangue de Cristo, mas não são apenas eles os elementos presentes naquele momento.  
Atentando para isto, avançamos para Constantino e sua suposta conversão, ele articula uma religião em que o cristianismo é o nome usado, mas na verdade está misturado as religiões pagãs que em nada tem a ver com o evangelho. Assim a ceia passa a ser um ritual católico onde pão e vinho são usados aos moldes do Mitraísmo[i], principal e real religião seguida por Constantino[ii].
A ceia no Mitraísmo era uma teofagia (comer o próprio deus), pois criam que o deus que adoravam, estava presente na carne e no sangue de um touro que era sacrificado e então comido, a carne e o sangue do touro foram substituídos pelo pão e vinho dando origem a forma de se praticar a ceia no então catolicismo romano, tendo agora um sincretismo religioso, assim Constantino tentava unir todas as crenças do povo ao redor de uma única religião.
Jesus estabeleceu o pão e o vinho como elementos que representam o seu corpo, nos ensinou a sempre fazer a ceia em memória dele, é uma ordenança a qual devemos praticar, mas de acordo com o que Cristo ensinou, não segundo os moldes do sincretismo estabelecido por Roma.
Jesus ensina que a ceia é o realizar de uma refeição, pão e vinho são elementos usados simbolizando o corpo de Jesus que foi moído e seu sangue que foi derramado para pagar o preço pelo pecado e purificar os que o aceitam, isto nos proporciona a redenção, este é o entendimento que devemos ter sempre que cearmos.
Certamente esta não é uma refeição como outra qualquer, é um momento especial e espiritual, quem participa deste momento precisa ter consciência deste significado e importância citados acima, do contrário não haverá sentido em realiza-lo.

“Quando vocês se reúnem, não é para comer a ceia do Senhor, porque cada um come sua própria ceia sem esperar pelos outros. Assim, enquanto um fica com fome, outro se embriaga.
Será que vocês não têm casa onde comer e beber? Ou desprezam a igreja de Deus e humilham os que nada têm? Que lhes direi? Eu os elogiarei por isso? Certamente que não! ” 1 Coríntios 11:20-22

Na igreja de Corinto a ceia consistia em reunir-se na casa de alguém, com cada um levando seu pão e vinho, e então em comunhão, era para todos dividirem tudo e comerem juntos, nisto se trazia a lembrança o sacrifício de Cristo, assim era a ceia antes do cristianismo romano forjado por Constantino.
Mas em Corinto eles se desviaram do propósito, ninguém esperava mais por ninguém para comer, cada uma comia o seu sem dividir, criaram grupos separados de pessoas. Havia naquela congregação pessoas necessitadas, que não tinham o que comer, a desigualdade social era um fato naquele contexto, isto fez com que a ceia se tornasse em um mal para eles, pois havia divisão, falsidade, exclusão, não expressavam o amor ao próximo, não se preocupavam em repartir, cada qual olhava para o que era seu sem se compadecer do outro.

“Entretanto, nisto que lhes vou dizer não os elogio, pois as reuniões de vocês mais fazem mal do que bem.
Em primeiro lugar, ouço que, quando vocês se reúnem como igreja, há divisões entre vocês, e até certo ponto eu o creio. ” 1 Coríntios 11:17,18

Os atos que os cristãos de Corinto praticavam os tornavam indignos, não tinha consciência do que significava a ceia, não entediam que era um momento de união e comunhão, de fazer memória de Cristo e sua morte até o dia de sua volta, não compreendiam o momento espiritual, achavam que era só comer e se fartar ignorando o seu próximo, assim viviam sem compaixão, sem perdoar, sem compartilhar, sem incluir, sendo arrogantes, avarentos e presunçosos, isso que significa comer indignamente a ceia.
Então comer indignamente significa as práticas da igreja em Corinto, e quem assim faz, também se torna indigno, mas isto não é o que é dito nos dias de hoje no meio cristão, pois o que é ensinado faz o indivíduo pensar que só pode tomar a ceia aquele que não peca, aquele que não comete erros, isto é um equívoco, somos pecadores, pecamos todos os dias pela natureza que temos, mas o sangue de Jesus nos comprou e justificou, podemos e devemos fazer parte da mesa do Senhor, não é um ritual para seres especiais que estão acima de sua natureza pecaminosa.
Viver tendo a consciência livre do evangelho em Cristo, nos faz entender que estando em Jesus, não é um erro involuntário que de repente faz indigno o cristão, não é assim, não se deve viver na prática do pecado e isto é claro, mas também é preciso saber que não ficamos saindo e entrando na Graça de Deus, estamos mergulhados nela e Cristo morreu para que nele vivamos em santidade, isto não é quebrado quando a natureza humana que está em nós vem nos condenar.

“Meus filhinhos, escrevo-lhes estas coisas para que vocês não pequem. Se, porém, alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo.
Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos pecados de todo o mundo.
Sabemos que o conhecemos, se obedecemos aos seus mandamentos. ”

Não pense que Jesus ignora o pecado não, a consequência do erro é inevitável, mas é preciso pedir perdão na hora e seguir em frete, pois vivemos imersos na Graça, receba o perdão de Deus, siga seu caminho e não peques mais.   
A ceia é para todos que tem consciência do seu significado, é para todos que se arrependeram e foram alcançados, é para todos aqueles que se tornando filhos de Deus em Cristo, estes têm o direito de com confiança entrar em sua santa presença.  

“Portanto, irmãos, temos plena confiança para entrar no Santo dos Santos pelo sangue de Jesus, por um novo e vivo caminho que ele nos abriu por meio do véu, isto é, do seu corpo.
Temos, pois, um grande sacerdote sobre a casa de Deus.
Sendo assim, aproximemo-nos de Deus com um coração sincero e com plena convicção de fé, tendo os corações aspergidos para nos purificar de uma consciência culpada e tendo os nossos corpos lavados com água pura.
Apeguemo-nos com firmeza à esperança que professamos, pois aquele que prometeu é fiel. ”  Hebreus 10:19-23



[i] Religião mitológica persa e indiana praticada por Roma, onde o deus sol era cultuado.
[ii] Imperado romano responsável por institucionalizar o cristianismo.


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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Congregar



É inegável o momento que a igreja brasileira tem passado, onde cada vez mais pessoas se desligam de suas denominações deixando de frequentar regularmente uma instituição cristã evangélica, com isso muitos vivem num ardente desejo de estar se reunindo em grupos a parte do sistema evangélico, pois em seus corações está vivo o desejo de caminhar com Cristo e estar em comunhão com o corpo. 
Existem outros que tendo como subterfúgio as decepções institucionais evangélicas, extrapolam deixando as práticas da doutrina de Cristo e experimentam a vida, estas perdem não só o desejo comungar como também o desejo DE praticar os ensinos de Cristo, pois eles se libertaram da institucionalização e do sistema mas ainda não entenderam a prática da vida cristã, continuam presos ao "eu", ainda que iluminados e tendo provado da verdade  negam a Cristo em seu modo de viver  (Hb. 6. 1-10).

Destacamos aqui que o sistema evangélico tem tido princípios eclesiásticos baseados em meritocracia, vivendo um pragmatismos doutrinário, substituindo a simplicidade do evangelho por métodos, modelos e cartilhas, uma prática exaustiva e manipuladora gerando alienação em muitos, mas enfim... é necessário congregar ou podemos viver o evangelho sem frequentar regularmente ajuntamentos?
No estudo dos evangelhos, olhando para Jesus, vemos que ele inicia seu ministério indo de encontro aqueles que ele escolhe para o seguir, aqueles que seriam seus discípulos, com esses Jesus se relaciona, está em comunhão, e ensina sua doutrina. Jesus vai em busca dos perdidos, busca estar com pessoas, no meio delas e proclamar o Reino, curar enfermos e expulsar demônios. (Mt. 9.35). Em momento algum Cristo cria sistemas para controlar pessoas ou prendê-las aos seus ensinos, ele expõe seu propósito mantendo o livre pensamento e escolha de cada um em segui-lo ou não, não vemos estratagemas pragmáticos de cunho humanista, mas apenas a verdade do Reinar de Deus no coração do homem.  
No sermão do monte, Jesus está reunido com um grande número de pessoas, compartilha com elas as Bem Aventuranças, lhes ensina e instrui (Mt. 5). É muito claro que Cristo buscava estar com pessoas e se relacionar com elas, a vida cristã é composta por estes momentos, assim como Jesus tendo momentos de ensino a multidão que o seguia e em reuniões reservadas com seus discípulos, todos quanto caminham com o Mestre tem dentro de si o desejo de estar com gente, de se reunir em nome de Cristo para comungar. Jesus não provê entretenimento, não se gasta em afazeres que agradem o cobiçoso e hedonista coração humano, mas muitos ainda não entendem, mergulham em sofismas e caminham faltosos de compreensão. 
É notório nos evangelhos que Jesus em sua vida de oração, tinha também momentos a sós com o Pai, como o exemplo em Lucas 6. 12:

“E aconteceu que naqueles dias subiu ao monte a orar, e passou a noite em oração a Deus.”

Jesus ensina como devemos busca-lo em oração, essa busca não se dá apenas em dias e horas marcadas, mas diariamente durante o caminhar, Ele até diz qual espaço físico podemos estar para fazê-lo, e ao contrário do que muitos pensam não foi o monte o lugar indicado pelo Mestre para estarmos a sós com Deus:

“Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente.”

A questão nesta breve reflexão e ressaltar que a vida cristã não se resume e em momentos nem se relaciona com o frequentar um templo evangélico, seguir a Cristo não é ocupar cargos, cumprir horários e ser cristão dentro dos templos nos dias e horários determinados, mas é uma prática diária, uma vida inteira onde não tem dia e hora marcada para acontecer, mas acontece onde for a todo instante, seja num momento de estar sozinho buscando o Pai em secreto, ou em reuniões públicas de culto a Deus. 
A vida com Deus não tem formalidades, tem princípios, seus deveres, a necessária seriedade e o compromisso entre outras coisas inerentes ao cristão verdadeiro, mas nunca uma vida engessada e moldada e menos ainda, determinada por um sistema religioso, não podemos ser prisioneiros de templos como se fosse obrigação frequentá-los pela necessidade de congregar.
Estar reunido é tão preciso quanto ter os momentos a sós com Deus e, estar a sós com Deus e tão preciso quanto se reunir para comungar, é simples...

 Congregar não é pré requisito para estar com Cristo como se aquele que não o faz estivesse em condenação,  mas destacamos aqui que isto faz parte do caminhar e é bom quando é feito na liberdade de uma consciência cristã a mercê da graça de Deus.
Bom caminho!